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Sobre Morangos Mofados

Remexa na memória, na infância, nos sonhos, nos tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente, é lá que você está. Tem que por isso pra fora, enfiar o dedo na garganta. Depois, claro, você peneira esse vomito, amolda-o, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E não fique esperando que alguém faça isso por você. Na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente. Só não fique assim, engasgado.

Let me take you down
cause I'm going to
strawberry fields...

Uma homenagem a Caio F. Abreu e Cornelia Heidiger.

Tout homme est l'architecte de sa vie

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Fico vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo. Às vezes a gente vai-se fechando dentro da própria cabeça, e tudo começa a parecer muito mais difícil do que realmente é. Eu acho que a gente não deve perder a curiosidade pelas coisas: há muitos lugares para serem vistos, muitas pessoas para serem conhecidas.

Ooh, how I suposed to hate, the only one I've ever loved?

Não estou desesperada, não mais que sempre estive, não estou bêbada nem louca, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída.

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Life seems nothing at all,
if I don't fall in love with u
:/

Simbiose transparente

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Acho espantoso viver, acumular memórias, afetos. Estou exausta de construir e demolir fantasias. Ando meio fatigada de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada, pois felizmente ou não, não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Pensando dessa forma, acho que sou bastante forte para sair de todas as situações em que entrei, embora tenha sido suficientemente fraca para entrar. Só me resta uma dúvida: Será que, à medida que você vai vivendo, andando, viajando, vai ficando cada vez mais estrangeiro, desconhecido de si mesmo? Só quero ir indo junto com as coisas, ir sendo junto com elas, ao mesmo tempo, até um lugar que não sei onde fica, e que você até pode chamar de morte, mas eu chamo apenas de porto.

De qualquer forma...