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Série Sonetos da Via Lactea

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I

Talvez sonhasse, quando a vi. Mas via
Que, aos raios do luar iluminada,
Entre as estrelas trêmulas subia
Uma infinita e cintilante escada.

E eu olhava-a de baixo, olhava-a... Em cada
Degrau, que o ouro mais límpido vestia,
Mudo e sereno, um anjo a harpa dourada,
Ressoante de súplicas, feria...

Tu, mãe sagrada! vós também, formosas
Ilusões! sonhos meus! íeis por ela
Como um bando de sombras vaporosas.

E ó meu amor! eu te buscava, quando
Vi que no alto surgias, calma e bela
O olhar celeste para o meu baixando...

O caminho do bem

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'Ora (direis) ouvir estrelas! Certo, perdeste o senso!'
Eu vos direi no entanto,
Que para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto.

E conversamos todas as noites, enquanto
a Via Láctea, como um pálio aberto cintila.
E, ao vir do Sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: 'Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido tem
o que dizem, quando estão contigo?

E eu vos direi:' Amai para entendê-las!
Pois só quem ama ten ouvido capaz de ouvir,
e de entender as estrelas!'