Ah, fumarei demais, beberei em excesso, aborrecerei todos os amigos com minhas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerei insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirei dias adentro, noites afora, faltarei ao trabalho, às aulas , escreverei cartas que não serão nunca enviadas, consultarei búzios, números, cartas e astros, pensarei em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarei desamparada atravessando madrugadas em minha cama vazia, não conseguirei sorrir nem caminhar alheia pelas ruas sem descobrir em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele, se o perder (...)
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(sic.)
A arte brota das feridas que surgem dos sofrimentos. Nada mais artisticamente produtivo que um amante infeliz e a tristeza da mudança das coisas em relação a permanência dos sentimentos.
Não, que eu saiba.
O que eu sei é que se transforma numa matéria-prima
que a vida se encarrega de transformar em raiva.
Ou em rima."
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